quinta-feira, 25 de maio de 2017
segunda-feira, 15 de maio de 2017
Dia das mães
Durante anos eu acordava, ia até a cama de minha mãe, deitava em cima dela, a abraçava, a beijava e cochichava em seu ouvido um simples “feliz dia das mães”. Nem sempre tinha presente, nem sempre tinha um belo almoço; mas sempre tinha ela e por isso era feliz o dia das mães...
Nenhum presente
que eu comprasse transmitia a importância dela na minha vida, não havia
comemorações a sua altura (mesmo que fosse uma festa luxuosa, apesar de eu
nunca ter tido dinheiro para isso). O importante mesmo sempre foi a nossa presença
(minha mãe, eu e meus irmãos), estarmos juntos, demostrando o amor nos simples gestos,
nos detalhes do dia-a-dia e não apenas no dia das mães.
Ela
sempre dizia: “Eu só quero de vocês é respeito e obediência...” Ela nunca
precisou pedir amor porque sempre existiu amor entre nós; sempre foi recíproco,
intenso, forte, real... Quando nascemos corta-se a ligação física existente no
cordão umbilical, mas nasce uma ligação ainda mais forte que nem a morte é
capaz de romper.
Hoje
(14/05/17) meu dia das mães foi diferente. Um pouco após acordar percebi que começava
a chuviscar, o dia nascia meio nublado, suas cores não estavam tão vivas. Na
verdade, tudo em volta estava meio cinza, mas em minha mente as lembranças com
ela estavam vivas e coloridas.
52 dias atrás ela estava aqui, mas hoje não está mais. Até para parabenizar algumas mães hoje pelo seu dia foi difícil; afinal esse dia era pra minha mãe, o sentido desse dia era tê-la aqui comigo...
Apesar do dia hoje ter sido meio vazio sem
minha mãe, as lembranças que vêm em minha mente são belas e alegres. Desde que
nasci, em todos os dias das mães, eu estava com ela, eu sorria com ela e pra ela.
E tudo que vivemos durante esses anos não será esquecido, afinal já está na
minha essência. Como uma amiga me disse: “há muito da minha mãe na minha essência...”
No dia
das mães sempre tentamos agradar mais nossas mães (porque fazer isso o ano todo
é difícil hein... rs) e só por tê-las conosco é motivo de agradecermos. Hoje, mesmo sendo um dia saudoso pra mim, sou grata a Deus pelos anos em que pude estar com
ela, tentando ser obediente e respeitando-a... Anos que pude desfrutar do seu
amor!
Eu já tinha tentado anos atrás pensar como
seria minha vida sem minha mãe; eu sempre cortava esse pensamento pedindo a
Deus que, se possível fosse, esse dia nunca chegasse. Hoje esse pensamento o
qual eu tanto evitava é real, ela não está mais aqui, Deus a levou...
Era difícil imaginar a vida sem ela e é ainda mais difícil viver sem ela. Nunca estamos prontos para dizer “adeus”, mesmo sabendo que isso faz parte da vida aqui... Adeus significa uma separação física, contudo a minha ligação com minha mãe era muito mais do que física; o laço que nos unia ainda existe e transborda em mim através da saudade. Posso dizer também que "adeus" significa ser no tempo de Deus e sei que no tempo Dele estarei novamente com ela na eternidade!
sábado, 29 de abril de 2017
Ele se foi...
Tenho a impressão que se eu fechar os olhos,
As coisas vão mudar
E o tempo vai voltar...
Ele ainda estará aqui,
(E ela também).
Mas abro os olhos e percebo que não
Ele também se foi...
Mesmo sabendo que ele estava doente e muito debilitado
Essa certeza de que ele se foi é estranha.
Minha mente volta ao passado,
Lembro-me de quando ele me carregava na cacunda,
Quando jogávamos dominó, baralho
E das crises de risos quando fazíamos “guerra de cócegas”.
É verdade que nem tudo foi sempre bonito,
Existe uma lacuna de lembranças
Quando penso na minha pré-adolescência até a vida adulta.
Sua presença foi meio ausente...
Na infância ele sempre foi meu herói
E na adolescência ele me fez perceber que não somos perfeitos.
Ele estava preso ao vício do álcool
E isso fez nossos momentos juntos diminuir...
Foram anos, mas o tempo é relativo.
Eu prefiro contar a vida pelos momentos que vivemos
E não pelos que deixamos de viver.
Por isso os momentos que tenho são da infância
E os de agora, depois que ele deixou de beber.
Eu já era adulta, mas ele continuava dizendo que eu era sua criança.
Sempre que eu chegava tarde
Ele estava no ponto de ônibus me esperando.
Ainda posso ouvi-lo falando todo orgulhoso de sua filha engenheira
Ou reclamando comigo do horário que eu ia chegar em casa.
Em suas últimas semanas, eu estava com ele.
Agora ele não mais me carregava,
Mas eu o ajudava a caminhar.
Ele não me esperava no ponto de ônibus,
Mas em um quarto de hospital...
Ele se foi...
Mas continua em mim.
No meu jeito zueiro de ser, há muito dele.
Essa veia característica que há em minha testa
Está em mim, mas é dele e não minha.
Desde de criança
Eu implicava com o seu cabelo branco,
Com o seu bigode...
Ríamos.
Hoje essas implicâncias não fazem tanto sentido, pois ele se foi.
Nós caminhamos até a janela do quarto,
Eu o ajudei a sentar-se um pouco
E por uns instantes observamos a vista da Lagoa
Enquanto ele pegava um pouco de sol.
Última lembrança,
Último momento,
Última conversa,
Últimos risos.
Minha mãe sempre me dizia que ele chorou quando eu nasci
E eu chorei com sua partida...
Agora ele não está mais aqui,
Mas continua e continuará presente em mim!
sábado, 1 de abril de 2017
Ela se foi...
Ela se foi
E em tudo ainda faz-se
presente.
Foi tão rápido e
inesperado...
Não há um vazio em mim,
Pois estou repleta de
momentos com ela.
Momentos que não foram só de
alegria, mas houve muitos sorrisos...
Ela sempre, sempre estava
presente.
Se me olho no espelho,
Vejo traços dela.
Essa pinta em meu rosto nunca
foi minha
Sempre foi dela.
Em cada canto da casa
Há uma lembrança dela...
Há muito dela em mim e em
tudo!
Ela não deixou lugares
vazios, mas repletos de lembranças.
Eu não vou mais ouvi-la
perguntar
Se já almocei, se comi
feijão, se vou demorar pra chegar em casa...
Ela não irá mais me levar ao
portão
Eu não a pedirei a "bença" e
nem a beijarei mais antes de sair,
Antes de dormir, diariamente.
Não vou mais vê-la
Sorrindo, cantarolando,
triste, preocupada, contente...
Não a verei mais,
Não aqui, nesse mundo
efêmero.
Deus a levou.
E Ele fez do jeito que ela
desejava,
Sem dor, de forma rápida e em
um dia tranquilo.
Ela se foi, mas sempre será
lembrada.
Sei que Deus está no controle
de tudo,
Sei que um dia a encontrarei
na eternidade.
Mas hoje, amanhã, depois...
Minhas lembranças continuarão
carregadas de saudades dela.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
Quando a vítima dá mole e esperto é o ladrão.
O
ato de andar em uma passarela lotada de gente visto por mim como algo normal
não o é... Afinal, quando você anda desligada está “dando mole”, quando você não
imagina que as pessoas em sua volta podem ser um ladrão em potencial você está “dando
mole”, quando você carrega sua mochila nas costas você também está “dando mole”.
O
cara estava andando bem próximo a mim, eu o percebi até porque ele pisou no meu
chinelo. Na primeira vez, eu apenas o achei mal educado por não pedir “desculpa”
e continuei andando rápido, como de costume. Novamente outra pisada em meu
chinelo, estranhei, mas pensei: “não vale apena se estressar”. Já tinha subido
a passarela e ele ainda estava por perto, pisou novamente em meu chinelo e logo
depois parou fingindo olhar o preço de uma mochila...
Imediatamente
eu notei que minha mochila estava aberta, conferir e percebi que o celular não
estava mais lá. Eu poderia ter virado para trás naquele momento, afinal o cara
ainda estava por perto; eu poderia ter gritado “ladrão” e esperar que alguém desse
um corretivo naquele bandido; eu poderia ter feito algo para recuperar meu
celular... Mas eu nada fiz. Fechei a mochila, com a
certeza que não tinha mais meu celular, e continuei andado.
“Tu
é muito lerda mesmo, Barbara.” “Deu molinho.” “Mas se você percebeu porque não
fez nada?”
Sei
lá, eu devo ser uma boba mesmo... Mas a primeira coisa que pensei foi: “Era
apenas um celular.” Acho que eu faço jus ao significado do meu nome, sou estranha
mesmo e certamente sou estrangeira nesse mundo.
De
todas as reações que eu poderia ter no fim eu, provavelmente, estaria agora com
meu celular. Mas o que veio na minha mente naquele momento foi uma cena de
violência... A população anda se achando “justiceira”, afinal quem rouba merece
apanhar e eu não consigo me imaginar sendo pivô de atos assim. Mas, mas e
mas... Eu nunca vou achar que violência se paga com violência!
Há
quem estranhe eu ter ficado tranquila, ter contado essa história rindo e pouco
tempo depois estava eu passando novamente pela mesma passarela. A verdade é
que eu não acho normal andarmos com medo pelas ruas, desconfiarmos de todo
mundo, sermos agressivos... Eu não pretendo ser e nem agir assim. Eu não tenho
culpa quando alguém furta meu celular!
Eu
tenho visto a violência aumentando de forma assustadora, mas o que me assusta mesmo
é que estamos achando isso normal e por isso temos criado “mecanismos de defesa”.
Por exemplo, hoje quando um assaltante é identificado na rua, os trabalhadores,
“pessoas do bem” facilmente param para “dar um corretivo” enquanto esperam a
polícia (isso quando chamam a polícia). Hoje se há uma oportunidade de “se dar
bem”, as “pessoas do bem” facilmente se corrompem... Isso realmente me assusta!
Estamos
vivendo uma inversão de valores e a vida está cada vez mais desvalorizada. A nossa
justiça é corrompida, o nosso senso de justiça está carregado de experiências ruins
e por isso precisamos “jogar” isso em alguém.
Quando
cheguei em casa estava realmente pensando “dei mole”, mas depois pensei melhor.
A culpa não foi minha, a culpa não é da vítima. Errado é o ladrão! Pensei em
tudo que tinha acontecido... E enquanto alguns lamentavam por eu ter perdido o
celular e lamentei ao pensar que muitos estão caminhando cada vez mais longe de
Deus e cada vez mais perto de uma morte eterna... Eu só perdi meu celular.
Fiquei
chateada, perdi muitos contatos, meus aplicativos, vou ficar um tempo sem ficar até
tarde conversando e sem ler a noite pelo celular... Mas foi apenas um celular!
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