sexta-feira, 10 de abril de 2020

Crucificação

Sua alma estava em profunda tristeza e seus amigos não estavam com Ele enquanto orava. 

Tristeza de morte, de abandono, mas Ele estava a orar.

"Pai, faça tua vontade, mas se possível for, afasta de mim este cálice."

Foi preso e a sexta-feira chegou. 

O sol não estava a brilhar, havia trevas sobre a terra. 

Com uma coroa de espinhos o coroaram, o açoitaram, cuspiram-lhe e Ele carregou a sua (a nossa) Cruz. 


O pecado nos separa de Deus e o preço do pecado é a morte. 

Na cruz, Ele pagou o preço por nossos pecados. Um alto preço! Naquele instante, o Pai o abandonou, Ele tornou-se maldição por nós. 

Abandonado, negado, ridicularizado, Ele foi crucificado. 

Era sexta-feira, Ele exclamou em alta voz e expirou. 

O véu do templo se rasgou, houve um tremor na terra, houve certo temor, mas já haviam crucificado o Cristo, Senhor. 


Diante de Sua morte, a esperança de muitos se esvaiu, mas ainda era sexta-feira e a profecia se cumpriu. 

Nessas circunstâncias será que é possível ainda manter a esperança? 

A sexta-feira estava difícil, dolorosa, havia trevas e morte. Mas ainda era sexta, o domingo já estava perto, mas era preciso esperar...


terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Retrospectiva 2019


Esse ano foi um ano meio imprevisível pra mim, eu comecei o ano sem saber se nos meses seguintes estaria ou não me mudando, afinal não sabia quando estaria completando meu sustento para ser enviada… Em março soube que faria meu treinamento junto com a equipe Cru São Paulo, agora já tinha um destino pra ir, mas continuava sem saber quando iria. 


Mesmo sabendo que teria que esperar o tempo do Senhor, eu fiz planos, tracei metas e estive caminhando enquanto esperava. Com certeza, esse foi o ano que mais fez sentido pra mim o verso daquela música que diz: “Esperar em ti é sempre caminhar” (Marcos Almeida)


Foi um ano cansativo, muitas vezes me sentia sob tensão e precisando de uma massagem (até sonhei que recebia uma massagem hahaha). Mas foi também um ano lindo, em que vi o cuidado de Deus comigo de diversas formas, Ele sempre estava por perto me ajudando nas minhas limitações e sempre me lembrando o que de fato pulsa no meu coração… a cada dia, semana, mês que passava minha convicção ministerial era alicerçada. 


Eu passei algumas semanas, talvez meses buscando entender o tempo de Deus porque, claramente, o tempo Dele tem sido diferente do meu. Passei por momentos em que Deus simplesmente permanecia em silêncio. Era como se Ele apenas falasse:  “Você já sabe o que precisa, apenas caminhe.” Foi muito difícil prosseguir diante do silêncio do Senhor, principalmente, porque muitas das minhas metas não eram alcançadas e eu estava fazendo minha parte direitinho (rs). 


Às vezes, a gente busca, busca por uma resposta e Deus vem com frases como essa: Então perguntou aos seus discípulos: "Por que vocês estão com tanto medo? Ainda não têm fé?" (Marcos 4:40). Talvez essa tenha sido a frase que mais permeou meus pensamentos durante esse ano, “Será que eu ainda não tenho fé?”. E cá estou, no último dia do ano escrevendo minha retrospectiva, continuo de pé, caminhando e continuo acreditando. 


Bom, eu comecei e termino esse ano levantando sustento; então, posso dizer que uma de minhas metas não alcançadas foi exatamente essa. Eu queria já ter completado meu sustento, queria já ter me mudado pra São Paulo e queria, inclusive, está agora em uma conferência missionária que está acontecendo na Europa. Nada disso aconteceu… isso, normalmente, gera um pouco de frustração, mas sei e tenho aprendido que o jeito de Deus agir não é igual o meu. 


Meu lado de exatas é bem lógico quando vou traçar alguma meta. Funciona mais ou menos assim, se Deus está me chamando pra servir na França, vou entrar como missionária de tempo integral. Se antes de ir preciso fazer um treinamento aqui no Brasil, ok, já posso me mudar é só completar meu sustento. Se pra completar meu sustento preciso ir em igrejas e convidar pessoas, ferei isso. E é isso que tenho feito, conversado com muitas pessoas, muitas mesmo, indo em igrejas e compartilhando sobre meu ministério. Feito isso, confiando no poder do Espírito Santo, a gente espera o resultado que está nas mãos de Deus. Simples, né? 


E quando os resultados não vêm? Pelo menos não como a gente espera… Você mantém sua confiança? (Você ainda não tem fé, Barbara?)


Esse seria o resumo do meu ano, olhando com meus olhos, segundo os pensamentos que eu tinha para 2019. Mas os pensamentos do Senhor são mais altos do que os meus. Ele não trabalha apenas quando vemos o resultado final, Ele está trabalhando durante TODO o percurso. Estar em Cristo é viver um relacionamento e não apenas cumprir uma listinha de tarefas. 


Enquanto eu caminho, Ele está trabalhando na França, em São Paulo e em mim. Ele está me moldando antes de me enviar, Ele está preparando tudo, inclusive, o coração da minha família. 


Durante esses meses de 2019, eu pude desenvolver relacionamentos, conhecer novas pessoas e novos lugares. Eu tenho visto Deus mobilizando cada vez mais pessoas para se importarem com missões na Europa e eu tenho feito parte disso. Deus tem me dado uma equipe de intercessores e tem me sustentado através da minha equipe de parceiros ministeriais. Nada tem me faltado! Eu não estou sozinha. Eu estou caminhando e tenho pessoas comigo, afinal, somos membros de um mesmo corpo, o corpo de Cristo. Missões não se faz sozinho e a vida cristã também não se vive isoladamente. 


Normalmente, quando você está levantando sustento as pessoas sempre acham que seu pedido de oração vai ser em relação a isso e de certa forma é verdade. Mas quase sempre que me perguntavam se eu tinha algum pedido de oração, eu falava: “Ore para que eu mantenha minha alegria mesmo quando o tempo de Deus difere do meu.”. E tem dado certo, independente das circunstâncias, minha alegria tem sido estar caminhando com o Senhor, afinal, a graça Dele nos basta, certo? 


Eu poderia terminar esse ano com certo sentimento de frustração, mas termino com gratidão. Gratidão por saber em Quem tem crido, saber que Ele tem cuidado de mim, saber que cada experiência tem me ajudado a crescer e tem acrescentado a minha fé. 


Meu pensamento lógico e simples para viver a vontade de Deus não tem acontecido, mas do jeito Dele, Ele tem feito mais, tem acrescentado pessoas, viagens, experiências… a chama está a cada dia mais viva em meu coração. E é com esse sentimento que termino 2019. Um ano em que vive e aprendi mais sobre confiança, dependência, sobre convicção que vai muito além de simples emoções temporárias.


Eu poderia citar aqui diversos momentos que me marcaram esse ano, comentar sobre cada viagem, sobre conversas motivadoras, falar como Deus manteve ainda mais viva em meu coração minha convicção ministerial, mas o texto ficaria ainda mais longo e talvez você já tenha lido um pouco sobre isso nos textos que publiquei aqui no blog durante esse ano ou nos meus informativos mensais. Então, acho que já posso encerrar minha retrospectiva deste ano… 


Logo, logo, estaremos iniciando um novo ano e meu desejo é que estejamos em Cristo, caminhando com Ele e assim vivendo a cada dia deste novo ano a Sua vontade para nossas vidas. 

(Inclusive, é sobre isso que eu falo um pouco no vídeo que coloquei no YouTube, se quiser assistir este é o link: Quais são as suas metas e expectativas para 2020?

Feliz Ano Novo! Bonne Année! 


sábado, 23 de novembro de 2019

Sempre-viva, flor. Sempre vivo, o amor.

Eu não sei o percurso que elas tiveram até chegar em minhas mãos, mas sei que comigo elas passaram por Salvador, Camaçari, até chegarem ao Rio de Janeiro e aqui no Rio, já estando em minha casa, sofreram um ataque do meu cachorro. Mas elas, essas florezinhas da foto, permanecem vivas. Resolvi escrever um pouco sobre esse trajeto percorrido por elas e como eu tenho visto, através dessas flores sempre-vivas, características do amor que sempre está vivo. 


Primeiro, elas permaneceram vivas, apesar das distâncias percorridas e da forma que foram transportadas, dentro da minha mochila. Em Salvador, eu as carreguei na minha mão, mas para as distâncias maiores, elas foram transportadas dentro da minha mochila e com isso algumas florezinhas caíram... Tenho pra mim que a distância não acaba com o amor, mas quando sufocado ele pode ir se desgastando, as poucos ir se perdendo, nem sempre “todo amor” sobrevive. 


As distâncias foram longas, mas o tempo dentro de uma mochila fechada não foi tão longo assim... a maioria das flores permaneciam vivas. Então, na minha casa, elas foram atacadas pelo meu cachorro. Foi um ataque externo, mas a falta de cuidado foi minha, pensei que elas já estavam seguras e as deixei só no meu quarto. 


O mais interessante deste episódio foi que eu as deixei no meu quarto, enquanto fui olhar meus girassóis que estava começando a desabrochar. Pra mim, os girassóis precisavam mais da minha atenção e eu não os via desde que tinha ido à Salvador. 


Mas o que isso tem a ver com o amor? 

Às vezes pensamos que o amor já está bem alicerçado, seguro e nem sempre lembramos que precisamos cuidar e continuar cultivando o amor que já cativamos. Uma pequena distração junto com ações externas podem “destruir” o amor que já está alicerçado, mas continua sendo frágil e necessitando de cuidados. 


Muitas florezinhas foram destruídas e, se o tempo de minha ausência fosse maior, talvez todas tivessem sido destruídas...  O amor é forte, resistente, mas não se ausente por muito tempo, ele também precisa de atenção.
Das flores que sobreviveram nem todas ficaram intactas, algumas ficaram marcadas por esse percurso turbulento que passaram, mas permanecem vivas. 

O amor, às vezes, sofre, carrega marcas, mas as cicatrizes também servem pra mostrar que apesar das dores, houve cuidado e o que antes doía, hoje já não dói mais, passou e o amor sobreviveu. 


Você acha que depois disso tudo que essas flores passaram, se eu as deixar perto do meu cachorro, elas vão ficar bem? Se eu as deixar esquecidas por um tempo indeterminado dentro da minha mochila, elas vão sobreviver?  


Elas são sempre-vivas, mas continuam precisando de certa atenção e cuidado... Imagine o amor! 

 


sexta-feira, 1 de novembro de 2019

365 dias, caminhando...



Eu tô caminhando, 

Tentando sempre olhar pro alto, 

Lembrando-me de Cristo, 

Mantendo viva minha esperança 

Que está firmada no Senhor. 


As pessoas inventam muitas histórias, 

Criam fábulas 

E às vezes até nos confundimos. 

(De costas para as fabulações 

Eu quero manter meus olhos fixos em Ti) 

A Tua Palavra continua sendo a verdade, 

Independente do que acham 

E até mesmo do que eu pense, 

Tudo é efêmero, 

Mas Tu és eterno. 


Eu tô seguindo,

Contigo tô descobrindo mais sobre mim 

E sobre quem desejas que eu seja. 

Minha identidade está em Ti.  

Tô longe da perfeição, 

Mas hoje tô mais perto de Ti 

Do que 365 dias atrás. 


Tô caminhando Contigo.  

Mantendo meus olhos no céu, 

Imaginando tua morada, 

Imaginando meu lar, 

Imaginando a eternidade...


"Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério." (2Timóteo 4:3-5)


terça-feira, 29 de outubro de 2019

Aprendendo como peregrina.



Foram 11 dias, 5 Cidades, 1 pousada e 4 casas com famílias distintas... Quando voltei pra casa cheguei a estranhar minha própria cama. 

Esse mês de outubro me trouxe muitas reflexões e quero compartilhar 3 aprendizados importantes que tive durante esses dias... 


O primeiro ensinamento que tive foi enquanto as viagens eram apenas possibilidades, dentre meus questionamentos, confesso que o valor das passagens me fizeram repensar muitas vezes. 

A verdade é que, independente de você considerar como um gasto ou um investimento, viajar requer dinheiro... 

Enquanto eu me questionava sobre os valores, Deus me fez olhar por outra óptica. Ao invés de ficar reclamando dos altos valores das passagens, eu deveria ser grata porque Ele já tinha me dado tudo que eu precisava. 

Com isso Deus tem me ensinado a desfrutar mais dos presentes que Ele me dá, mesmo que eu não me ache merecedora, Ele tem o melhor pra mim, Ele sabe nos agradar como um bom Pai é e Ele também sabe do que precisamos. 


O segundo ponto, certamente é um belo e necessário ensinamento pra mim. Desde 2018, enquanto estive na França, Mateus 10 tem sido frequente nos meus pensamentos, principalmente os versículos 9 e 10. Deus tem me lembrado muitas vezes que não posso acumular coisas, afinal, minha vida é missionária. Tenho tentado aos poucos diminuir minhas bagagens, tô em uma política de desapego haha principalmente de roupas e livros. 

Mas confesso que eu ainda não tinha refletido muito nos versículos seguintes. Quem é meu amigo de longa data sabe como é difícil eu dormir em suas casas haha Se dá para eu voltar pra minha casa, mesmo que seja bem tarde, voltarei. Mas aí, neste mês, eu me vi incomodando 4 famílias, dormindo em 4 casas que antes nem conhecia, foi quando eu lembrei que Jesus disse aos seus discípulos para ficarem nas casas que o recebessem e a paz deles deveria repousar sobre essas casas. 

Deus prepara tudo, inclusive o lugar pra ficarmos. Repare que, apesar de se economizar com hospedagem, isso não tem a ver apenas com o dinheiro, mas com a oportunidade de se viver em comunhão, em comunidade, de servir uns aos outros com o que Deus tem nos dado. 

Fiquei com 4 famílias que, materialmente, eu não posso oferecer nada, mas posso retribuir com minhas orações em gratidão, certa de que Deus os recompensará. Que Ele seja glorificado nesses lares! 

Obrigada por serem exemplos de hospitalidade pra mim. 


O terceiro ponto que quero destacar é sobre a oportunidade incrível que temos de fazer amigos e reconhecer irmãos. Em Cristo, somos uma grande família e é lindo poder viver isso. 

Cada pessoa é única e, se me permite um conselho, esteja disponível para cultivar relacionamentos. No convívio com o outro temos oportunidades de sermos bênção e também sermos abençoados... Viva cada momento e perceba as pessoas que estão a sua volta.
 
Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós. (Antoine de Saint-Exupery)