segunda-feira, 15 de maio de 2017
Dia das mães
Nenhum presente
que eu comprasse transmitia a importância dela na minha vida, não havia
comemorações a sua altura (mesmo que fosse uma festa luxuosa, apesar de eu
nunca ter tido dinheiro para isso). O importante mesmo sempre foi a nossa presença
(minha mãe, eu e meus irmãos), estarmos juntos, demostrando o amor nos simples gestos,
nos detalhes do dia-a-dia e não apenas no dia das mães.
Ela
sempre dizia: “Eu só quero de vocês é respeito e obediência...” Ela nunca
precisou pedir amor porque sempre existiu amor entre nós; sempre foi recíproco,
intenso, forte, real... Quando nascemos corta-se a ligação física existente no
cordão umbilical, mas nasce uma ligação ainda mais forte que nem a morte é
capaz de romper.
Hoje
(14/05/17) meu dia das mães foi diferente. Um pouco após acordar percebi que começava
a chuviscar, o dia nascia meio nublado, suas cores não estavam tão vivas. Na
verdade, tudo em volta estava meio cinza, mas em minha mente as lembranças com
ela estavam vivas e coloridas.
Apesar do dia hoje ter sido meio vazio sem
minha mãe, as lembranças que vêm em minha mente são belas e alegres. Desde que
nasci, em todos os dias das mães, eu estava com ela, eu sorria com ela e pra ela.
E tudo que vivemos durante esses anos não será esquecido, afinal já está na
minha essência. Como uma amiga me disse: “há muito da minha mãe na minha essência...”
No dia
das mães sempre tentamos agradar mais nossas mães (porque fazer isso o ano todo
é difícil hein... rs) e só por tê-las conosco é motivo de agradecermos. Hoje, mesmo sendo um dia saudoso pra mim, sou grata a Deus pelos anos em que pude estar com
ela, tentando ser obediente e respeitando-a... Anos que pude desfrutar do seu
amor!
Eu já tinha tentado anos atrás pensar como
seria minha vida sem minha mãe; eu sempre cortava esse pensamento pedindo a
Deus que, se possível fosse, esse dia nunca chegasse. Hoje esse pensamento o
qual eu tanto evitava é real, ela não está mais aqui, Deus a levou...
sábado, 29 de abril de 2017
Ele se foi...
Tenho a impressão que se eu fechar os olhos,
As coisas vão mudar
E o tempo vai voltar...
Ele ainda estará aqui,
(E ela também).
Mas abro os olhos e percebo que não
Ele também se foi...
Mesmo sabendo que ele estava doente e muito debilitado
Essa certeza de que ele se foi é estranha.
Minha mente volta ao passado,
Lembro-me de quando ele me carregava na cacunda,
Quando jogávamos dominó, baralho
E das crises de risos quando fazíamos “guerra de cócegas”.
É verdade que nem tudo foi sempre bonito,
Existe uma lacuna de lembranças
Quando penso na minha pré-adolescência até a vida adulta.
Sua presença foi meio ausente...
Na infância ele sempre foi meu herói
E na adolescência ele me fez perceber que não somos perfeitos.
Ele estava preso ao vício do álcool
E isso fez nossos momentos juntos diminuir...
Foram anos, mas o tempo é relativo.
Eu prefiro contar a vida pelos momentos que vivemos
E não pelos que deixamos de viver.
Por isso os momentos que tenho são da infância
E os de agora, depois que ele deixou de beber.
Eu já era adulta, mas ele continuava dizendo que eu era sua criança.
Sempre que eu chegava tarde
Ele estava no ponto de ônibus me esperando.
Ainda posso ouvi-lo falando todo orgulhoso de sua filha engenheira
Ou reclamando comigo do horário que eu ia chegar em casa.
Em suas últimas semanas, eu estava com ele.
Agora ele não mais me carregava,
Mas eu o ajudava a caminhar.
Ele não me esperava no ponto de ônibus,
Mas em um quarto de hospital...
Ele se foi...
Mas continua em mim.
No meu jeito zueiro de ser, há muito dele.
Essa veia característica que há em minha testa
Está em mim, mas é dele e não minha.
Desde de criança
Eu implicava com o seu cabelo branco,
Com o seu bigode...
Ríamos.
Hoje essas implicâncias não fazem tanto sentido, pois ele se foi.
Nós caminhamos até a janela do quarto,
Eu o ajudei a sentar-se um pouco
E por uns instantes observamos a vista da Lagoa
Enquanto ele pegava um pouco de sol.
Última lembrança,
Último momento,
Última conversa,
Últimos risos.
Minha mãe sempre me dizia que ele chorou quando eu nasci
E eu chorei com sua partida...
Agora ele não está mais aqui,
Mas continua e continuará presente em mim!
sábado, 1 de abril de 2017
Ela se foi...
Ela se foi
E em tudo ainda faz-se
presente.
Foi tão rápido e
inesperado...
Não há um vazio em mim,
Pois estou repleta de
momentos com ela.
Momentos que não foram só de
alegria, mas houve muitos sorrisos...
Ela sempre, sempre estava
presente.
Se me olho no espelho,
Vejo traços dela.
Essa pinta em meu rosto nunca
foi minha
Sempre foi dela.
Em cada canto da casa
Há uma lembrança dela...
Há muito dela em mim e em
tudo!
Ela não deixou lugares
vazios, mas repletos de lembranças.
Eu não vou mais ouvi-la
perguntar
Se já almocei, se comi
feijão, se vou demorar pra chegar em casa...
Ela não irá mais me levar ao
portão
Eu não a pedirei a "bença" e
nem a beijarei mais antes de sair,
Antes de dormir, diariamente.
Não vou mais vê-la
Sorrindo, cantarolando,
triste, preocupada, contente...
Não a verei mais,
Não aqui, nesse mundo
efêmero.
Deus a levou.
E Ele fez do jeito que ela
desejava,
Sem dor, de forma rápida e em
um dia tranquilo.
Ela se foi, mas sempre será
lembrada.
Sei que Deus está no controle
de tudo,
Sei que um dia a encontrarei
na eternidade.
Mas hoje, amanhã, depois...
Minhas lembranças continuarão
carregadas de saudades dela.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
Quando a vítima dá mole e esperto é o ladrão.
O
ato de andar em uma passarela lotada de gente visto por mim como algo normal
não o é... Afinal, quando você anda desligada está “dando mole”, quando você não
imagina que as pessoas em sua volta podem ser um ladrão em potencial você está “dando
mole”, quando você carrega sua mochila nas costas você também está “dando mole”.
O
cara estava andando bem próximo a mim, eu o percebi até porque ele pisou no meu
chinelo. Na primeira vez, eu apenas o achei mal educado por não pedir “desculpa”
e continuei andando rápido, como de costume. Novamente outra pisada em meu
chinelo, estranhei, mas pensei: “não vale apena se estressar”. Já tinha subido
a passarela e ele ainda estava por perto, pisou novamente em meu chinelo e logo
depois parou fingindo olhar o preço de uma mochila...
Imediatamente
eu notei que minha mochila estava aberta, conferir e percebi que o celular não
estava mais lá. Eu poderia ter virado para trás naquele momento, afinal o cara
ainda estava por perto; eu poderia ter gritado “ladrão” e esperar que alguém desse
um corretivo naquele bandido; eu poderia ter feito algo para recuperar meu
celular... Mas eu nada fiz. Fechei a mochila, com a
certeza que não tinha mais meu celular, e continuei andado.
“Tu
é muito lerda mesmo, Barbara.” “Deu molinho.” “Mas se você percebeu porque não
fez nada?”
Sei
lá, eu devo ser uma boba mesmo... Mas a primeira coisa que pensei foi: “Era
apenas um celular.” Acho que eu faço jus ao significado do meu nome, sou estranha
mesmo e certamente sou estrangeira nesse mundo.
De
todas as reações que eu poderia ter no fim eu, provavelmente, estaria agora com
meu celular. Mas o que veio na minha mente naquele momento foi uma cena de
violência... A população anda se achando “justiceira”, afinal quem rouba merece
apanhar e eu não consigo me imaginar sendo pivô de atos assim. Mas, mas e
mas... Eu nunca vou achar que violência se paga com violência!
Há
quem estranhe eu ter ficado tranquila, ter contado essa história rindo e pouco
tempo depois estava eu passando novamente pela mesma passarela. A verdade é
que eu não acho normal andarmos com medo pelas ruas, desconfiarmos de todo
mundo, sermos agressivos... Eu não pretendo ser e nem agir assim. Eu não tenho
culpa quando alguém furta meu celular!
Eu
tenho visto a violência aumentando de forma assustadora, mas o que me assusta mesmo
é que estamos achando isso normal e por isso temos criado “mecanismos de defesa”.
Por exemplo, hoje quando um assaltante é identificado na rua, os trabalhadores,
“pessoas do bem” facilmente param para “dar um corretivo” enquanto esperam a
polícia (isso quando chamam a polícia). Hoje se há uma oportunidade de “se dar
bem”, as “pessoas do bem” facilmente se corrompem... Isso realmente me assusta!
Estamos
vivendo uma inversão de valores e a vida está cada vez mais desvalorizada. A nossa
justiça é corrompida, o nosso senso de justiça está carregado de experiências ruins
e por isso precisamos “jogar” isso em alguém.
Quando
cheguei em casa estava realmente pensando “dei mole”, mas depois pensei melhor.
A culpa não foi minha, a culpa não é da vítima. Errado é o ladrão! Pensei em
tudo que tinha acontecido... E enquanto alguns lamentavam por eu ter perdido o
celular e lamentei ao pensar que muitos estão caminhando cada vez mais longe de
Deus e cada vez mais perto de uma morte eterna... Eu só perdi meu celular.
Fiquei
chateada, perdi muitos contatos, meus aplicativos, vou ficar um tempo sem ficar até
tarde conversando e sem ler a noite pelo celular... Mas foi apenas um celular!
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
2016 -> 2017 - Retrospectiva
Lembro que quando
2016 iniciou eu ainda estava no período de 2015.2, não conseguia nem relaxar
direito. Comecei meu primeiro dia pensando nas matérias que deveria estar
estudando e resolvi começar o ano estudando; exatamente isso, no 1° dia do ano,
quando minha família foi dormir, eu liguei o notebook e assim foi minha
primeira madrugada de estudo em 2016. Eu estava cansada, queria que 2015.2
terminasse logo, queria que 2016.1 começasse... Queria me formar! Estes eram os
pensamentos que mais circulavam em minha mente no início de 2016.
No final de
dezembro de 2015 eu resolvi fazer minha inscrição para um projeto missionário
do Alfa e Ômega ELO, não tinha a menor ideia de como seria, não criei muitas
expectativas; apenas tinha me inscrito porque Deus estava me direcionando para
isso e de certa forma eu queria ir junto com uma amiga para motivá-la também.
Então, quando 2016 começou eu ainda não estava pensando muito nesse projeto e
nem no levantamento dos recursos financeiros necessários.
Quando janeiro de
2016 começou, com ele chegaram também as últimas provas e apresentações de
2015.2... Percebi como eu estava cansada, esgotada, saturada mesmo. Meu
aproveitamento não foi dos melhores, muito pelo contrário! Fiquei chateada
comigo mesmo, mas pra minha sorte Deus é bom e nos conhece melhor do que nós
mesmos.
Aquele projeto
missionário que eu nem sabia direito porque Deus estava me direcionando a ir,
aconteceu em fevereiro de 2016; então, pouco depois do período de 2015.2 findar,
eu estava viajando rumo a Jequié, na Bahia, onde aconteceu esse projeto. Essa
viagem veio como uma válvula de escape, um alívio de toda aquela pressão que eu
havia colocado em mim mesma... Em Jequié Deus me mostrou claramente como eu
tendo a ficar presa em minhas preocupações, nas coisas pequenas e efêmeras.
Durante os dez dias
em que estive em Jequié, diariamente, eu perguntava para Deus o porquê de estar
ali; sabia que não era apenas para eu descansar um pouco... Mas Deus nos
convida a andar com Ele pela fé, a ir, e enquanto vamos Ele vai nos mostrando a
Sua vontade, sem pressa, no tempo Dele. No último dia na UESB, universidade na
qual o projeto fora realizado, posso dizer que a “ficha caiu”; entendi o
significado de estar ali e a importância que aqueles dias teriam na minha vida.
Deus realmente é incrível!
Voltando de
Jequié, cheguei ao Rio e o período de 2016.1 estava perto de começar; estava
muito feliz e meio preocupada... Seria meu último período na UERJ. E pouco
tempo depois de 2016.1 começar a UERJ entrou em mais uma greve, que durou mais de 5
meses! Minha colação de grau (simbólica) já estava agendada e em março foi
realizada, foi um momento ímpar, daqueles momentos em que passa um filme na
nossa mente e eu estava muito feliz por tudo que tinha vivido até ali, apesar
dos pesares.
Durante algum
tempo, mesmo com a greve, eu continuei tendo aula; mas chegou um momento que
não deu mesmo para continuar, a UERJ estava insalubre e perigosa. E Deus,
novamente, mostrou que Ele pode transformar momentos ruins em bons... Fizemos
um projeto evangelístico na UERJ durante a greve; na verdade, só nos juntamos
ao que Deus já estava fazendo. Foi uma linda semana, tivemos momentos de
edificação, comunhão, compartilhamos Cristo e até hoje eu vejo frutos desse
projeto.
O projeto de greve terminou, mas a greve ainda
continuou por um tempo… Conforme os meses iam passando eu me recordava, e com certo
saudosismo, dos momentos e pessoas com as quais havia estado diariamente
durante o projeto na UERJ e lembrava ainda das pessoas que havia conhecido em
Jequié. Senti-me grata por isso, pois nesses detalhes percebi o cuidado de Deus
e como Ele estava me presenteando com belos momentos e belas amizades. Acho que
esses muitos meses de greve me deixaram mais melancólica. rs
Em julho aconteceu o Encontro de
Universitários Cristãos, EUC. E “euc não perdi”! Dei um pulo em volta Redonda,
onde o EUC aconteceu, e lá estava bem frio, vivendo no Rio nem sei direito o
que é isso. Durante os dias do EUC tive bons momentos de comunhão e Deus
confirmou em meu coração o ministério para o qual Ele tem me chamado… e olha
que ainda o estou descobrindo, aos poucos, de passo em passo, no tempo Dele.
Morando no Rio acho que não tem como falar da
retrospectiva de 2016 sem mencionar as olimpíadas. Havia um sentimento misto em
mim, estava feliz em ver minha cidade sediando um evento tão importante,
ficando ainda mais bela para receber os visitantes. Mas quando me lembrava dos
terceirizados, dos professores, de como estavam (e ainda estão) os hospitais,
das greves e ocupações nas escolas e universidades; não achava muito justo me
alegrar. Parecia que estavam apenas maquiando meu Estado e depois que as
olimpíadas acabassem, iriam tirar essa maquiagem e as imperfeições
continuariam…
Mas, apesar dos contras, preferi olhar mais para
os pós. Tínhamos brasileiros em muitas modalidades, algumas que eu nem sabia
que existiam… Não poderia ficar apática a isso, precisava vibrar, torcer,
comemorar. Tivemos conquistas, superações, vitórias marcantes. E não digo isso
só pelas olimpíadas até porque a paraolimpíada foi uma verdadeira festa, um
show! Não posso dizer que aproveitei ao máximo esse período único no meu Estado
até porque logo, logo eu voltaria a ter aula e precisa me concentrar nisso;
contudo fiquei feliz em poder participar um pouco deste momento.
Um pouco antes de
começar as olímpiadas a greve acabou e logo depois começou um recesso devido as
olímpiadas (Vai entender?)... No final de agosto eu voltei para aquela
adrenalina básica de um estudante universitário, não vou me prender aqui
falando sobre a conclusão em si desse último período, pois já o fiz em um texto
aqui publicado anteriormente (vide: Não foi de
repente, mas me formei). Mas vale apena ressaltar que aquele período
de 2016.1 foi um longo período e só terminou mesmo no final de dezembro,
pertinho do Natal. E desta vez, depois de muitos anos, eu não terminei meu ano
preocupada com as aulas que começariam em janeiro... Não fiquei estudando na
madrugada, eu simplesmente dormi!
2016 foi um
grande ano, com momentos bons e ruins, e, principalmente, foi um ano de
crescimento e aprendizado. Estou muito grata a Deus por tudo que pude viver
esse ano que se findou, por tudo que eu nem havia planejado, pelas pessoas que
eu conheci, pelos amigos que eu fiz. Esse ano foi massa! (Hahahaha)
Estou
colocando aqui dois “prints” da tela do meu celular, um do primeiro dia de 2016
e outro do primeiro dia de 2017. Em 2016 meu desejo era me formar, por isso no
meu protetor de tela eu estava com a blusa da formatura. Em 2017 já estou
formada, essa foto foi no dia da minha colação, e meu desejo é estar mais perto
da minha família e dos meus amigos este ano.
De tudo que tenho
vivido só consigo imaginar que 2017 será surpreendente! Deus tem cuidado de mim
nos mínimos detalhes e tem me mostrado que os planos Dele são mais altos do que
o meu. E eu quero viver os planos Dele pra mim; sei que serão desafiadores, mas
também sei que serão incríveis e gratificantes.
2017 já começou... E aí o que farás de novo neste ano novo?
Feliz Ano Novo!
Caso queira saber mais sobre o projeto Jequié você pode ler esse texto: Jequié - Diário de bordo simplificado e sobre o projeto de greve na UERJ nesses versos (Projeto na greve) eu falo um pouco do que vivemos.
Caso queira saber mais sobre o projeto Jequié você pode ler esse texto: Jequié - Diário de bordo simplificado e sobre o projeto de greve na UERJ nesses versos (Projeto na greve) eu falo um pouco do que vivemos.
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